Teatro, poesia, palhaçaria, oficinas, montagem de espetáculos, assessoria cultural, palestras, produção de eventos, locação de transporte, locação de som, iluminação e muito mais.

30 de janeiro de 2010

A TUA AÇÃO em dose dupla

O espetáculo A TUA AÇÃO de Junio Santos, com recriação de J. Rhuann, fez duas ótimas apresentações na sexta-feira, 29, depois de praticamente dois meses sem ensaiar. O entrosamento entre atores e a parte de música deixa o espetáculo dinâmico e vivo.
Foto de Elinado Segundo
A Tua Ação em Patú
Depois de apresentar na Conferência das Cidades em Patú, o grupo veio direto participar da I Mostra Cultural Vapor das Artes, com apresentação às 20h, em frente à Casa de Cultura Popular Vapor das Artes em Janduís.
Foto de Rosana Medeiros
A Tua Ação em Janduís
São partes do espetáculo Kinho Araújo, músico da banda Swing Brasil e convidado do grupo; Djnan Charley, Diego Tavares, César Santos e J. Rhuann completam o elenco e o jovem Segundo fica na parte de fotografia.

Ciranduís nas Conferências das Cidades

A Cia. Ciranduís participou nos últimos dias de algumas Conferências das Cidades, em município vizinhos, com representantes e com apresentações culturais.
Foto de César Santos
Auditório da Câmara Municipal em Lucrécia
Quinta-feira, 27, a Ciranduís esteve na Conferência das Cidades, que aconteceu às 08h, na Câmara Municipal, em Lucrecia, apenas com representantes e levamos a turma das oficinas teatrais para ver o espetáculo “Os Sete Constituintes” com o Grupo Arte e Ginga.
Foto de Elinaldo Segundo
Conferência das Cidades em Patú
Sexta-feira, 28, a Ciranduís foi à cidade de Patú para a 3ª Conferência Municipal, às 14h, na Escola Francisco Francelino de Moura e levou o espetáculo A TUA AÇÃO de Junio Santos, enquanto que a coordenação participou também às 14h, da 4ª Conferencia Municipal na Câmara em Janduís.
Foto de Elinaldo Segundo
Elenco do A ATUA AÇÃO com a prefeita de Patú Evilásia Gildênia
Nossa contribuição tem acontecido em várias cidades da região por estarmos interligados com os outros municípios, quando vamos em busca de apoio e quando levamos trabalhos de oficinas e apresentações culturais.

27 de janeiro de 2010

Encaminhamentos culturais

A Associação Amigos da Casa de Cultura Popular Vapor das Artes, se reuniu nesta quarta-feira, 27, às 10h, na Casa de Cultura, para encaminhar vários assuntos que dizem respeito ao funcionamento da entidade e o Ponto de Cultura Em Cena Ação.

Foram repassadas aos sócios, as próximas ações que serão realizadas como o espetáculo “A Paixão de Cristo”, que já estamos em fase inscrição e a I mostra de Cultura Vapor das Artes que acontecerá entre os dias 29 e 31 deste mês.

Depois de vários informes e alguns ajustes disciplinares, foi informado sobre a escolha de um novo vice-presidente, já que o atual Ubirajara Alves, passa a ser coordenador do Ponto de Cultura Em Cena Ação e abriu-se candidatura para postulantes a vaga.

O candidato César Santos que obteve 10 votos do plenário derrotou o candidato Zé Daniel que atingiu apenas 04 votos, no total de 15 participantes da reunião, onde cabe ao presidente apenas o voto minerva.

O Comitê Gestor da Associação passa a atuar com Lindemberg Bezerra, presidente; César Santos, vice-presidente; Martilene Duarte, Secretária; Fernanda Carla, 2º Secretária; Jozenildo Morais, Tesoureiro; Leandro Tomé, 2º tesoureiro e Toinho de Helena, diretor de relações institucionais.

Firmando parceria

A Direção da Cia. Ciranduís, se reuniu com Eliane Bandeira, coordenadora estadual do Projeto Mova Brasil, terça-feira, 26, na Escola JK, após a abertura oficial do projeto, para discutir o aprofundamento da parceria 2010.

Houve uma conversa sobre as ações de ambas as partes parceiras e como será direcionado o trabalho junto ao Mova. Falamos sobre nossas posturas culturais e educacionais dentro dos nossos limites.

Muitas propostas foram discutidas com a direção no intuito de fazer valer mais ainda o fortalecimento da parceria. Além de comandar uma turma do Projeto Mova Brasil, o grupo vai atuar em outras vertentes culturais. Uma reunião será marcada entre a coordenadora do Projeto e todos os membros da Ciranduís.

Agradecimentos


A equipe da Ciranduís em viajem a cidade de Assu/RN, encontrou a prefeita Shirley Targino e o vereador Pôla Pinto da cidade de Messias Targino, na abertura do Projeto Mova Brasil num gesto bem amigável.

Os dois, junto ao prefeito Waltinho Araújo e a Secretária Nova Araújo de Lucrécia, colaboraram para a viajem da Ciranduís e mais cinco grupos de Janduís e região XXV Escambo de São Miguel do Gostoso.

Em conversas, o grupo agradeceu pessoalmente a Shirley Targino e reforçou a disposição para a cidade de Messias Targino em trabalhos de natureza cultural, social e educacional. A mesma sempre otimista, também deixou em evidencia o apoio ao nosso trabalho.

Ao final, a prefeita e o vereador Pôla Pinto nos informaram que a cidade em breve estará recebendo mais um transporte escolar do tipo microônibus e que poderá contribuir muito mais, já que o grande e maior problema da Ciranduís é o deslocamento.

Ficamos gratos, pelo reconhecimento da administração de Messias Targino, uma vez que já trabalhamos por vários momentos com o povo daquela cidade, levando oficinas, montando espetáculo e gerando novas expectativas sociais para juventude.

Espetáculo teatral em Assu/RN.

A Cia. Cultural Ciranduís, apresentou o espetáculo “A Loja de Chapéus” de Karl Valentin e recriação de Junio Santos, às 10h, na Estadual Escola Juscelino Kubitschek, centro, Assú/RN, em abertura do Projeto MOVA-Brasil.
Espetáculo A Loja de Chapéus
O convite surgiu pela coordenadora estadual Eliane Bandeira, que enaltece o trabalho da entidade Ciranduís, quando destina pela terceira vez, a vaga de monitor para que a Companhia faça a escolha dentro dos parâmetros educacionais.
Equipe da Cia. Ciranduís e Eliane Bandeira
No encontro reencontramos vários parceiros que contribuem para o trabalho da Ciranduís, como Pôla Pinto, Caramuru Paiva, Hugo Manso, Prefeita Shirley Targino, Lucélia, Jailson Morais e tantas outras figuras que nos apóiam no estado.

24 de janeiro de 2010

Na cabeça do poeta

UM ESCAMBO DE MUITA PAZ
Por Ray Lima


Um Escambo de paz
O Escambo de São Miguel do Gostoso foi isso. Um encontro de paz e relação amorosa entre os artistas e a cidade. Amor à primeira vista. Para se ter uma ideia estávamos tomando café numa padaria, depois de uma viagem cansativa de nove longas horas de Fortaleza para São Miguel, quando fomos abordados por uma garçonete nos perguntando se éramos do Escambo. Respondemos que sim. Ela então nos informou, apontando para uma senhora que também lanchava na padaria, que não precisávamos pagar nada porque aquela senhora bancava nossas despesas. Em seguida, D. Ieda, como se chama, pediu licença, sentou conosco e quis saber mais sobre o movimento. Após uma boa conversa confirmou a informação da garçonete, indo mais além: resolveu nos adotar arcando com o café da manhã para o grupo Pintou Melodia na Poesia, durante todo o evento. Uma demonstração de solidariedade e compromisso com a vida cultural da cidade. Coisa que a própria prefeitura não demonstrou. É claro que chegando à escola onde nos alojamos propusemos um revezamento entre os grupos presentes para compartilhar o saboroso café. Assim o Escambo se deu no mais puro convívio com a comunidade e sua população, sem incidentes, sem problemas.

Da força e do saber coletivo de repente se improvisa
Já diziam os grandes mestres que improvisa quem sabe, quem tem acúmulo e criatividade suficientes para agir sobre a orientação de um plano mínimo sem se perder nem vacilar. Ninguém consegue improvisar em cima do nada. Pois bem. O Movimento Escambo Popular Livre de Rua tem revelado essa capacidade. Em seus 20 anos de luta, resistência e poder criativo tem proporcionado aos escambistas e às pessoas dos lugares aonde vamos momentos de extrema riqueza artística e produção do comum que mobiliza e encanta. Quem não conhece o processo do Escambo pode imaginar um caos ou algo muito organizado, exaustivamente planejado e ensaiado para se chegar a tantos resultados com qualidade. A força da participação e da gestão coletivas faz desse movimento uma potência real com poder de realização impensável nas condições e conjunturas em que tem atuado.

Do improviso à gestão coletiva
Já diziam os grandes mestres que improvisa quem sabe, quem tem acúmulo e criatividade suficientes para agir sobre a orientação de um plano mínimo sem se perder nem vacilar. Ninguém consegue improvisar em cima do nada. Pois bem. O Movimento Escambo Popular Livre de Rua tem demonstrado essa capacidade. Em seus 20 anos de luta, resistência e poder criativo tem proporcionado aos escambistas e às pessoas dos lugares aonde vamos momentos de extrema riqueza artística e produção de convívio humano capaz de encantar e mobilizar todos.

A experiência de produção e gestão dos jovens
Não há dúvida de que a coordenação local do encontro tendo a frente Filippo Rodrigo e Patrícia Caetano, apoiados pelos componentes do Bando La Trupe, deu o mote da tranqüilidade, do ambiente de paz e democracia. Acho que eles inovaram ao não cobrar das comissões de organização do encontro e do próprio coletivo o cumprimento de suas tarefas. Os contratos, os acordos eram firmados e cada grupo que tratasse de dar conta, não havendo maiores cobranças nem pressão sobre quem quer que seja. A conseqüência é que desta forma acabava ficando mais claro quem estava bleflando. Neste caso todos se beneficiando ou pagando altos preços de acordo com a postura e a atitude de cada comissão e ou do todo presente. Isso poderia ter levado ao caos como poderia gerar um processo de conscientização que, em parte trouxe reflexões importantes, puxando a responsabilização pela realização do evento para o coletivo e não apenas deixando-a pesar sobre os ombros, como de resto em alguns casos também ocorreu, do grupo que sediou o encontro. Contanto, foi um Escambo de bons espetáculos, de boas conversas, discussões e debates profundos; de escambares animados e participativos; de banho de mar, birita para alguns e luta serena e pesada (ainda) para outros. Talvez seja esse último um dos pontos que permanecem como desafio a ser superado pelos escambistas: a sobrecarga nos grupos anfitriões. Acreditamos que as coisas mudarão à medida que o Escambo for se tornando mais ESCAMBO, quando se enraizar em cada um de nós como prática e cultura coletiva.

Presença do Amir
O fato de o Amir estar participando dos encontros do Movimento Escambo, além de acrescentar-lhe importância, traz-lhe também uma contribuição do ponto de vista estético, filosófico, político muito grande. O Amir Haddad tem a madureza, o acúmulo teórico e prático de quem fez opção pela rua quando poderia estar desfilando pelas coxias e palcos do teatrão. O Boal, seu velho amigo e grande mestre dos oprimidos, se foi, mas ele segue firme conosco a refletir e a nos cutucar com a língua pontuda de suas utopias. O Amir não é propriamente um intelectual da rua ou do teatro popular. Ele é um exímio pensador do nosso teatro, do Brasil, da contemporaneidade. Suas ideias e reflexões estão impregnadas de humanidade, de gosto pela vida, pela alegria de ser gente a partir do olhar artístico, estético. Noutras palavras nos engrandece, alimenta e nos honra. É verdade que, como ele mesmo diz, aprende com o movimento, mas sempre traz muitos ensinamentos. Mas não é daqueles que chega com tudo na maleta para despejar, não é de fazer conferência, pré-fabricar teses e empurrá-las a qualquer custo. Aliás, não anda com nada. Sequer carrega uma mochila, uma pasta, um caderno. Não usa data show nem exibe imagens prontas. Confia na memória e em sua potente tecnologia do pensar de improviso, de processar os olhares sobre o mundo, transformando-os e traduzindo-os simultaneamente para algo visível a olho nu, inteligíveis, ao alcance de qualquer mortal. Um homem sem apetrechos, leve. Um filósofo sem frescura nem pantim. Lembrando o João Cabral de Melo Neto, em “catar feijão,” o Amir é cuidadoso e preciso no que fala. Vai colhendo-lendo com maestria imagens e fatos do cotidiano, do que se passa ao seu redor como se debulhasse uma espiga de milho e processasse os grãos que vai selecionando rapidamente para nos ofertar, transformando aquilo que há pouco era um cereal cru, duro e quase sem gosto, um manjar-munguzá do saber gostoso, nutritivo, rico e novo. Porém, faz isso sem o medo de revelar como se dão os mecanismos de produção de conhecimento - sem apontar receitas ou fórmulas fáceis, mas ajudando-nos aprender a gostar de pensar e repensar nosso fazer artístico - e de como fazer uso dos conhecimentos que produzimos para construir estratégias de existência digna, de emancipadoras, de intervenção na história e nos contextos de injustiça e desigualdade social do Brasil e do mundo. No entanto, tenho observado desde Umarizal que alguns grupos não atentaram para o privilégio de contar esse mestre das artes de rua e da cultura popular em nossos encontros e de efetivamente tê-lo como escambista. Uma presença pedagógica, marcante e inovadora sempre porque produz suas reflexões a partir do que está vivendo.


Da produção à apropriação dos modos de produção
Do poder de capital não há o que esperar. Do poder político, preso às amarras dos financiamentos de campanhas eleitorais e à indústria das propinas; e, por outro lado, pressionado pela massa desesperada e oprimida pelos dois muito menos. Resta-nos apostar no poder popular advindo do âmago desses desesperados ainda não tragados pela onda do desespero.

“resta agora abdicar
desse poder que fere e mata
e nos arrasta para uma arena desigual
onde o boi é o bandido
e a plateia o oprimido no varal”

Entre estes estamos nós artistas que podemos desempenhar um papel fundamental para a transformação desse quadro desbotado que parece nunca descobrir e assumir outras cores. Chegou a hora, cito o poema que diz muito sobre o Escambo e o desafio de ser artista popular no Brasil:

“ É PRECISO QUE SEJAMOS FILÓSOFOS
É preciso aprender a semear com a máquina do tempo
É vital, mais que vital inventar
Vida e verdade, sonhos e realidade
Razão com alegria bailando
Sobre o espelho das águas perenes.”

Ainda esperamos coitados as chuvas do céu
Quando devemos fazer chover no chão de caos e ilusão
Umedecer as pedras, fazê-las verter poesia
Transformar em vida a energia do sol em desperdício
Que hoje nos flagela e definha

A fome indústria cega e daninha há de ser
O instrumento maior de transformação
Tinta e pincel
A reflexão, o painel sobre a eterna falta

Sobre a miséria a ação, o desenlace sem queda
A inteligência carcomida pela força da moeda
Será o túmulo dos canibais de consciências

É imprescindível e inevitável que sejamos filósofos
Filósofos de nós mesmos
Criadores e semeadores da nossa própria filosofia
Recriadores confessos do nosso rosto
Decoradores do espaço reservado à nossa causa
Defensores incessantes do grito de liberdade
Do motivo do nosso choro, da grife do nosso riso
Precisamos estar sempre dispostos a corrigir nossos costumes
Mergulhar no abissal dos nossos valores culturais
Para que venhamos festejar nossa vanguarda
Celebrar a estética do brilho estelar da nossa alma
A estiagem haverá de ser o nosso eterno objeto de estudo
A resistência nosso princípio nossa viagem”

Para tanto, temos que solucionar alguns probleminhas aparentemente bestas, mas que refletem o quanto precisamos avançar para sermos autogestores, autônomos, livres, emancipados. O poeta Reginaldo, numa pequena roda de diálogo, daquelas espontâneas, falava sobre a questão da alimentação e do transporte que são nós críticos ou estrangulamentos carecedores de saídas mais sustentáveis, precisando ser discutidos e levados à prática pelos grupos. O poeta defende que esses dois itens devam ser uma responsabilidade de cada grupo como era, em parte, no início do movimento. Cada um produz suas condições para chegar e estar em cada encontro. Parece castigo para quem não dispõe de políticas culturais e sociais consistentes nos municípios ou radicalismo por parte do poeta, mas entendemos que proposições como essas podem servir para refletirmos sobre a construção de autonomia e não dependência dos grupos em relação não só aos encontros do Escambo, mas ao seu fazer artístico onde vivem. Por que não pensarmos numa economia do Movimento Escambo? Como nos sustentamos hoje e o que precisamos para garantir nossa longevidade com decência? Não sei como seria, não sou economista. Mas se pensarmos que a pessoa, a família mais pobre do mundo consegue inventar maneiras para viver, sustentar-se vivo, por que nós artistas populares não aprofundamos o tema e investigamos sobre a invenção de nossa própria economia, fora da lógica de mercada, a partir da experiência do existir de vinte anos? Quais nossas reais potências? Que tecnologias e estratégias de sustentabilidade estão produzindo nossos grupos em seus lugares? Qual o potencial de troca que possuímos? Como desenvolver uma economia, uma produção cultural inspirada nas próprias tecnologias acumuladas pelo Escambo? Na cultura popular há vários exemplos de modos de existir, resistir. Onde estão e como mapear tais experiências? Quantas famílias antigamente passavam o ano produzindo para se manter e guardar algum trocado para ir às festas da padroeira da cidade. Era uma verdadeira produção: plantar, regar e colher para no dia da festa está de roupa nova, sapato novo e alguns trocados para brincar e espraiar sua alegria de interagir com o outro e compor com brilho a humanidade da festa. A lógica era: se preciso ir à festa, gosto e necessito de brincar tenho que criar as condições, trabalhar com afinco para garantir minha presença participante na festa. Como beber nessas fontes? Nós artistas temos o poder da expressão que vale por muitos mercados. A expressão, como diz Amir, “é uma conquista e não uma dádiva divina. A expressão é uma necessidade absoluta do ser humano e por isso não pode estar submetida a dogmas ou ideologias.” Não seria aí que residiria nosso poder de fogo, nossa potência para tornarmos o mundo e a vida na terra mais leves, sustentáveis e prazerosos. Se somos capazes de recriar o mundo por meio da arte, o seremos para inventar uma economia que seja mais favorável às nossas práticas vitais. Portanto, se o escambo é troca e todo mundo quer trocar, mãos à obra que outros escambos estão para acontecer. Entretanto, não basta querer ir aos encontros, é vital que nos façamos significativamente presentes pelo papel que desempenhamos em nossos grupos e pela ação que praticamos para o fortalecimento desse coletivo revolucionário e em pleno voo.

Fortalecendo a ideia de ocupação dos espaços públicos, principalmente as ruas.
Muito embora sem cercear outras possibilidades, não temos como abdicar das ruas como espaço primordial de nossas práticas culturais. Ocupar as ruas é, como diz Amir Haddad, dar-lhe mais humanidade, mais alegria, paz. É torná-la mais pública, menos privatizada e mais democrática. Não podemos aceitar que privatizem as praças, os logradouros públicos. Eles existem para serem lugares de gente feliz, de convívio social.
Deixando o ser artista mais forte
Aqui nos utilizamos das palavras do Ricardo, de Fortaleza, para ilustrar o que o Escambo representa para nós, seja para está chegando pela primeira vez, seja para quem tem anos de estrada:

“OI GENTE LINDA.
Pois é . . . mais um ESCAMBO em nossas vidas.
Muita Arte em toda parte.

Deixa EU contar uma coisa pra VCs.
Esse ESCAMBO com toda sua dificuldade pra mim foi de muita superação.
E é esse o sentido de ESCAMBAR de TROCAR, vc entende realmente o sentido do Movimento. Vc se encontra nele, vc contribui com o que pode.

Esse de Gostoso (São Miguel do Gostoso-RN) mexeu muito com as pessoas que estavam indo pela primeira vez. E mexeu mais ainda naquelas que já estão no movimento há mais tempo.

Uma coisa é certa cada ESCAMBO com suas diferenças, suas semelhanças e suas Historias.

Volto mais fortalecido, pois o ESCAMBO nos faz isso.
Fortalece mais e mais os grupos que dele participam.

E a ideia é sempre continuar ESCAMBANDO pelo meio do mundo, levar esse movimento além do horizonte.

Um Grande abraço pra todos e todas que tornaram possível esse XXV ESCAMBO.
Ricardo Furão - escambista, pastor da chama real e loirim


Paramos por aqui. Ando ainda entre o furor da alegria escambista e a anestesia da tristeza pela perda de um irmão querido.

“Hoje eu ouvi um bem-te-vi
Cantar cantar
Também ouvi o juriti
Dizer que a vida é feito um canto
Quem canta encanta
Então é feliz
É tão bom cantar
Cantar cantar cantar
Tomara que essa gente
Seja assim feliz
Por sou feliz cantanto”

23 de janeiro de 2010

Calendário 2010

A Cia. Ciranduís já começou a botar em práticas as atividades do Calendário de atividades 2010, com a participação no XXV Escambo e com a realização de um bate papo cultural e lançamento do vídeo do Escambo, na sexta-feira, 22, às 19h, em frente a Casa do capoeirista Francisco Ferreira, no Conjunto Verde Teto, em Janduís/RN.
Explanação de atividades da Ciranduís
Fizemos uma prestação de contas a comunidade dos recursos adquiridos para o Escambo, relatamos nossos trabalhos desde 2008 até os dias atuas em Janduís e região. Falamos das dificuldades enfrentadas no município com a Gestão Municipal, onde buscamos diálogo e não tivemos respaldo.
Zé Bezerra, Vice-prefeito de Janduís
Contamos com a presença dos companheiros Zé Bezerra, Vice-prefeito de Janduís e do vereador Adeilson Alves, ambos do Partido dos Trabalhadores. Eles enfocaram em suas falas, a importância da cultura como instrumento de transformação política, social e educacional do homem.
Vereador Adeilson Alves
Outro ponto tocado, foi a falta de políticas públicas no município de Janduís, que não dão sustentação aos diversos grupos e artistas que levam o nome da cidade para todo pais como cidade meramente cultural. É preciso que haja reconhecimento e apoio do Poder Público para que os grupos a artistas se fortaleçam, disse um dos oradores.
Lançamento do vídeo do Escambo
Outras atividades irão acontecer. Diante disso, A Ciranduís vai abrir espaço para conversas sobre temas de interesse exclusivo da comunidade. Daí, vamos buscar agregar os poderes, artistas sérios e comprometidos com a causa coletiva e fazer um debate responsável, sem agressões a nenhuma repartição, agindo com fatos e idéias.

Avaliação do Escambo

Cia. Ciranduís e o Grupo Ginga Faceira de Capoeira, se reuniram na sexta-feira, 22, às 10h, na Casa de Cultura Popular Vapor das Artes, para avaliarem o XXV Escambo Popular Livre de Rua de São Miguel do Gostoso/RN.
Elenco do Fuxiqueiro e o veredor Adeilson em São Miguel do Gostoso/RN
Foram avaliados os pontos positivos, negativos, os avanços dos membros e grupos participantes, a prática do Movimento, assim como, as atividades oferecidas desde Amir Haddad falando sobre o contexto da arte, às vivencias, os espetáculos.
Momentos do XXV Escambo
Foi analisando a complexidade do Movimento Escambo e como ele se renova a cada encontro, com artistas e grupos que buscam novas fontes de energia dentro do Escambo a produzem energia artistas nas discussões e rodas.
Mestre Amir Haddad, do Tá Na Rua - RJ
“O Escambo é um Movimento que vai sempre deixar a desejar na auto-gestão pela renovação constante de membros e em alguns casos não há preparação. O Escambo só está de pé justamente porque não tem dono. Ele é de todos que querem”. Destacou Ubiraja Alves, Coordenador da Cia. Ciranduís.
Junio Santos, uma das grandes refências do Movimento Escambo
Para Francisco Ferreira, coordenador do Grupo Ginga Faceira, ele destacou o amadurecimento das discussões políticas, a integração e força de vontade da resistência do grupo. Mesmo sem espaço pra treino no município, o grupo se renova quando chega ao Escambo.

Para muitos o Escambo começou quando saímos às ruas como pedintes, com cara de menino buchudo, implorando o apoio da comunidade, que carinhosamente atendeu nosso chamado e contribuiu. Foi destacado, a presença do vereador Adeilson Alves – PT, como base de apoio ao Movimento e como mais uma força ideológica.
Poeta Ray Lima no lançamento do Livro Lâminas
Na avaliação foi discutido ainda, a construção dos XXVI Escambo do Assentamento Barra do Leme, em Pentecostes/CE, em 2010 e o XXVII Escambo em Recife/PE, em outubro de
2011. Estamos fazendo Escambo para que possamos chegar nos encontros do Escambo.

Prestando contas

XXV Escambo Popular Livre de Rua
15 a 18 de janeiro de 2010
São Miguel do Gostoso/RN.

PRESTAÇÃO DE CONTAS

Contribuições arrecadadas ............................. R$ 552,50

DESPESAS:
- Diárias de motoristas .................................. 350,00
- Combustível ............................................ 160,00
- Crédito Celular ......................................... 20,00
- Água Mineral, medicamentos e outros .............. 22,50

TOTAL DAS DESPESAS ................................... R$ 552,50
SALDO ..................................................... R$ 000,00

Grupos articuladores:
Cia. Cultural Ciranduís – Janduís/RN.
Grupo Ginga Faceira – Janduís/RN.
Cia. de Artes Brincantes do Sertão – Janduís/RN.
Grupo Transformação – Campo Grande/RN.
Grupo Arte e Ginga – Lucrecia/RN.
Cia. Tribo da Arte – Lucrecia/RN.

Atividades em Lucrecia/RN

A Cia. Ciranduís recomeçou os trabalho de oficinas teatrais e fotografia digital, no Instituto Laura Vicuña, que acontece todas as quintas-feiras, entre 08h e 12h, na cidade de Lucrecia, em parceria com a Oscip Camará, Secretaria de Juventude e Prefeitura Municipal.
Roda de conversa e avaliação
Com o retorno na quinta-feira, 21, a turma já definiu que até abril será trabalhado o espetáculo “Eterna Paixão de Cristo” de Junio Santos e foi feita uma avaliação do XXV Escambo Popular Livre, já que estavam presentes dos grupos Arte e Ginga e Tribo da Arte, que representaram a cidade no Escambo.
Equipe discutiu as possibilidades do Escambo
O espetáculo “A Paixão de Cristo” em Lucrecia, será custeado com recursos dos microprojetos, em projeto aprovado em nome do artista da cidade FRANCISCO GAUDÊNCIO, com o apoio da Secretaria de Juventude e Prefeitura de Lucrecia, através do prefeito Waltinho Araújo, que vem fazendo uma gestão diferente na cultura.

Ponto de Cultura Em Cena Ação

O Comitê Gestor do Ponto de Cultura Em Cena Ação, se reuniu na quarta-feira, 20, às 19h, na Casa de Cultura Popular Vapor das Artes, para definir datas para algumas ações que serão executadas nos próximos dias.

O processo de licitação para compra de equipamentos digitais, está sendo providenciado, para que no máximo em 30 dias, os artistas e grupos de Janduís tenham acesso a um equipamento de ponta e com isso, possa ter mais facilidade em suas ações.

Quanto ao material de mídia e divulgãção, o Ponto de Cultura está contando com a colaboração do Assessor de Comunicação da prefeitura de Janduís, Raildon Lucena, que é uma das entidades parceira do Ponto de Cultura.

Ações como a I Mostra Cultural Vapor das Artes, será realizada entre os dias 29, 30 e 31 de janeiro, onde terá a participação de todos os grupos ativos da arte e cultura local. Terá ainda, a participação de Ivanildo Vila Nova, no sábado, 30, junto com Miro Pereira e Zé Oliveira.

Para o espetáculo “A Paixão de Cristo”, O Ponto estará com inscrições abertas a toda comunidade, na segunda, 25, e estenderemos até o dia 05 de fevereiro, na Casa de Cultura Vapor das Artes. É objetivo do Ponto de Cultura, envolver a comunidade como um todo.

20 de janeiro de 2010

XXV Escambo de São Miguel do Gostoso!

A Cia. Ciranduís, juntamente com a Cia. de Artes Brincantes do Sertão e Grupo Ginga Faceira de Capoeira de Janduís, participaram de forma ativa do XXV Escambo popular Livre de Rua, que aconteceu entre os dias 15 e 18 de janeiro de 2010, na cidade praiana de São Miguel do Gostoso/RN.

Espetáculo "O Fuxiqueiro"
Ainda estiveram conosco na discussão coletiva os grupos Transformação de Campo Grande/RN, Arte e Ginga e Tribo da Arte de Lucrecia/RN, que se revezaram nas tarefas de auto gestão que o Movimento adotou, depois de testas outros encontros com equipe de cozinha já contratada.


No primeiro dia de Escambo (15/01), a Cia. Ciranduís apresentou o espetáculo “O FUXIQUEIRO”, que conquistou o público na interpretação dos atores Caio Araújo, Riedson Oliveira, Elias Longim, Reisson Roberto, Diego Tavares e José Carlos. Nos mesmo dia cuidamos da segurança do local e nos dividimos em outras equipes.

Vivência de pernas de pau
Já no segundo dia, o sábado, 16, o grupo desenvolveu vivência de Pernas de pau, ficamos na fotografia, equipes de cozinha, limpeza e na parte de comunicação. Enquanto isso, alguns dos veteranos de Escambo e lideranças com a organização curtiram o sábado na praia de Xêpa, tomando aquela cerveja bem gelada.

O grupo dividido em equipes, participando das plenárias, domingo,17, teve a honra de vivenciar mais uma vez, um momento relevante com o mestre Hamir Hadd do Rio de Janeiro, que falou sobre nossos atos teatrais, as leis do Rio de Janeiro e Fortaleza que tiram dos artistas o direito de atuar livremente pelas ruas sem autorização das Prefeituras e o contexto das artes do Brasil.

Grande roda de palhaços
Numa noite inspirada, nossos palhaços fizeram sua parte misturados com o Arte e Riso de Umarizal/RN e demais palhaços do Escambo. A comunidade de São Miguel do Gostoso, nunca tinha visto tanto palhaços juntos com tanta inspiração e vontade de levar o riso àquele povo acolhedor e apoiador da arte popular.

Como encaminhamento, ficou amarrado o próximo Escambo na Barra do Leme/CE ainda este ano, e já está amarro um Escambo em Recife/PE, em outubro de 2011, dentro do festival de Teatro de Rua do Recife. Os grupos já estão começando a construir este Escambo.

Plahaço Bocão e MC Robinho
Voltamos pra Janduís na segunda, 18, convictos de que fomos ao Escambo mais uma vez fazer o encontro acontecer junto com Brincantes do Sertão e Ginga Faceira. Somos do Escambo, apoiamos o Escambo e vamos construir passo a passo os próximos encontros. Nossa opinião se resume numa só: veracidade e postura.

Vereador do PT de Janduís no Escambo

O vereador do PT de Janduís Adeilson Alves, ao ver a luta dos grupos Ciranduís, Brincantes do Sertão e Ginga Faceira, além de contribuir com o processo por acreditar, foi com os artistas pedintes participar do Encontro.


O vereador acompanhou de perto as discussões, todas as apresentações, as posições que o Escambo tem em relação às ações políticas em todos os estados que atua e acima de tudo se transformou num brincante em meio a toda alegria daqueles que foram por prazer.


Adeilson que já participou de movimentos sociais não estranhou aquele momento construído por todos que vão ao Escambo de cabeça erguida sem opinião dividida. A participação de Adeilson teve o respaldo de referencias culturais como Ray Lima e Junio santos.

Nossas relações

A Cia. Ciranduís é hoje o único grupo de Janduís e do Rio Grande do Norte que participa do Escambo desde sua primeira edição em 1991, quando o grupo era composto ainda só por mulheres amantes da ciranda.

Marchamos juntos entre dificuldades, alegrias, criticas, construções e estamos no Escambo porque acreditamos no Movimento. Diante disso, nossa ponte de diálogo com outros grupos da região tem sido o carro chefe para o desenvolvimento do grupo.

Em Janduís, estamos discutindo o Escambo com o Brincantes do Sertão, Ginga Faceira e é possível possamos dialogar com o Balai de Artes, Ritmos e outros que estejam a fim de construir uma rede cultural independente, onde cada qual busque suas parcerias e passe a respeitar as ações do semelhante.

O crescimento de cada grupo está na consciência do dever cumprido. Quando isso não acontece, começamos a criar defeitos nos outros e acabamos esquecendo do vazio que fica quando buscamos inventar ações, já é visível a transmissão de descrédito e dualidade de opinião de artistas e grupos na cidade.

São ações naturais que surgem em meio a tantos rumos sem rumos. Claro que isso não compete ao Ciranduís corrigir erros, petulância, arrogância dos outros. Somos aquilo que podemos. E por isso somos espelhados nas ações, nos gestos e até mesmo no apontamento. Enquanto isso estamos trabalhando de verdade, não são ações inventadas meramente comprovadas pelo que o grupo representa em Janduís e no RN.

Nosso paredão está pronto pras críticas, sugestões, calúnias, desabafo, assim como, vivemos felizes, sem mágoas e ainda por cima, executando ações limpas. Com a cabeça erguida estamos entrado nos espaços que nos são abertos e onde vemos dialogo de crescimento.

Propagamos o certo e criticamos os atos que achamos que podem sofrer adequações. Ao menos não pretendemos desestabilizar qualquer que seja dos poderes ou entidades, por ter a consciência do que já construímos em Janduís e região.

Lindemberg Bezerra
Artista da Ciranduís e do Movimento Escambo